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	<title>My School Educação Infantil Bilíngue - Rua Coronel Melo de Oliveira, 683, Pompéia, São Paulo - fone: 3868.1080</title>
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	<description>Educação Infantil Bilíngue</description>
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		<title>Adaptando</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 12:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A adaptação em escolas de Educação Infantil, principalmente de crianças com 1 ano, é um momento delicado e deve ser conduzido com muita atenção e seriedade por todos os envolvidos: escola e família.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2012/01/Camaleao-300x230.jpg" alt="" title="adapt" width="300" height="230" class="alignleft size-medium wp-image-605" />A adaptação em escolas de Educação Infantil, principalmente de crianças com 1 ano, é um momento delicado e deve ser conduzido com muita atenção e seriedade por todos os envolvidos: escola e família.</p>
<p>Os pais devem estar seguros com relação à sua decisão de colocar seu filho na escola. Esse sentimento é de vital importância, pois, a criança, sentindo a segurança e o desejo de seus pais de que ela fique na escola, criará um laço de confiança com as professoras e com a instituição. Se os pais estiverem inseguros com relação à escolha deles, esse sentimento pode ser transferido para a criança, o que dificulta a inserção.</p>
<p>O processo de adaptação em escolas foi estudado e acompanhado por diversos estudiosos e teóricos da área da pedagogia, psicologia, entre outras.  Muitas dessas pesquisas dizem que [...] a criança (entre 1 e 2 anos), se acompanhada em um ambiente novo por uma figura familiar, que fica tranquila num canto sem tomar iniciativas particulares, torna-se mais disponível e interessada em explorar, brincar, aceitar os contatos com os outros. O distanciamento furtivo da mãe gera, pelo contrário, reações diversas de ansiedade e um sucessivo e excessivo comportamento de apego com fortes reações de dependência e de maior recusa em relação ao ambiente e às pessoas novas. (MANTOVANI; TERZI, pg. 176, 1998)</p>
<p>Assim, escolas em busca do bem estar da criança e da família aconselham que o processo de adaptação ocorra dessa maneira, para que a criança perceba que a separação entre ela e a mãe/pai é temporária – o responsável sempre irá buscá-la no final do dia, e todos os dias.</p>
<p>Dessa maneira, em geral por uma semana, a mãe ou outra pessoa responsável acompanha o filho para que ele aceite com entusiasmo a nova rotina, o novo ambiente e também as novas relações que serão traçadas. Geralmente, uma professora acompanha o novo aluno durante toda sua adaptação, estabelecendo relação de confiança. </p>
<p>Além disso, costuma-se seguir a rotina que a criança tem em casa durante suas primeiras semanas na escola, para que não haja excesso de informação e novidades, causando assim maior estresse e desconforto para a criança.</p>
<p>Seguindo esse processo simples, mas que envolve muita tensão de todos os envolvidos, a criança logo se desprenderá da necessidade de ter a professora por perto e seu colo, e voltará sua atenção para as brincadeiras, atividades e relações com as outras crianças.</p>
<p>MANTOVANI, Susanna; TERZI, Nice. A inserção. In: BONDIOLI, Anna; MANTOVANI, Susanna. Manual de Educação Infantil: de 0 a 3 anos – Uma abordagem reflexiva. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 173-184.</p>
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		<title>+ línguas</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 12:32:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estudos revelam que aprender um segundo idioma amplia capacidade de concentração em crianças e adia os sintomas do mal do Alzheimer em idosos, artigo publicado no Jornal “A Folha de São Paulo”, de 21/11/2011, no Caderno Cotidiano, +Saber, por Rafael Garcia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O aprendizado de uma segunda língua traz vantagens que vão além do benefício mais que óbvio de permitir a comunicação em outro idioma. Novas pesquisas mostram que pessoas bilíngües têm, em média, maior capacidade de concentração quando jovens e menos sintomas de demência ao envelhecer. Esses estudos, muitos deles inspirados em experimentos da lingüística canadense. Ellen Bialystok   têm aliviado a consciência de pais que receiam expor as crianças a ambientes com duas línguas. </p>
<p>Nos Estados Unidos, por exemplo,  é comum imigrantes “esconderem” dos filhos da língua natal, para que as crianças aprendam o inglês mais rapidamente. Um dos estudos mais recentes do grupo Bialystok revela, porém, que jovens nutridos num ambiente bilíngüe se saem melhor em tarefas que exigem atenção, memória rápida, capacidade analítica e flexibilidade de idéias.</p>
<p>“Não é que se tornem mais inteligentes. A diferença é que pessoas bilíngües desenvolvem capacidade de concentrar sua atenção em um objetivo imediato sem se deixar incomodar por ruídos ou outras informações que as distraiam”, diz Gigi Luk, lingüística da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA).</p>
<p>Esse benefício, afirmam os lingüistas, acaba se mostrando de uma forma inesperada. Como o segundo dá ás crianças uma consciência maior sobre estrutura lingüística, algumas delas passam a dominar melhor a gramática de primeira língua.</p>
<p>Barbara Pearson, lingüística que realizou boa parte de seus trabalhos em Miami – cidade onde o espanhol é moeda corrente ao lado do inglês – afirma que crianças que crescem em ambientes bilíngües passam a enxergar antes dos monolíngües as propriedades formais e estruturais da língua. “Como o fato de que palavras consistem de silabas e sons”.  Isso, segundo ela, dá ás crianças uma importante ferramenta para desenvolver suas habilidades de raciocínio.</p>
<p><strong>DA MENTE AO CÉREBRO</strong> </p>
<p>Para alguns, pesquisadores, os benefícios da exposição á segunda língua ocorrem ainda mais cedo. Barbara Conboy, lingüística da Universidade de Redlands (EUA), realizou neste ano um experimento para medir a capacidade de discernimento entre fonemas de inglês, monitorando a atividade cerebral de bebês. Durante um período de dois meses antes e depois dos testes, os cérebros dos bebês se tornaram mais eficientes em processar inglês. Luk, que participou de vários dos experimentos de Bialystok, investiga o efeito do bilingüismo mapeando o cérebro de voluntários. Usando uma maquina de ressonância magnética, ela diz estar conseguindo enxergar que o bilingüismo ajuda adultos mais velhos a preservar estruturas de “matéria branca”, o tecido responsável por manter as conexões entre neurônios.</p>
<p>Em um estudo que ainda não foi publicado, Luk reúne evidencias físicas de um efeito que vem sendo mostrado pelas pesquisas de Bialystok desde 2004. Investigando a literatura médica, a cientista descobriu que idosos bilíngües conseguem adiar o aparecimento de sintomas do mal de Alzheimer em cinco ou seis anos. “Usar uma língua para aprender outra é um bom plano pedagógico“ Barbara Pearson lingüística da Universidade de Massachuetts (EUA).</p>
<p><strong>Aprendizado de outra língua pede presença dos pais</strong></p>
<p>Os benéficos cognitivos de uma criança aprender outra língua são notáveis, mas isso costuma exigir atenção e um esforço extra dos pais, muitos pais compram jogos e livros infantis em outra língua para ajudar no aprendizado dos filhos. Esse tipo de atenção é essencial, principalmente quando as línguas têm sistemas de escrita diferentes, como acontece com o japonês em relação o português.</p>
<p>Até em famílias em que o aprendizado é natural, quando marido e mulher têm nacionalidades diferentes, é necessário cuidado para que os filhos não abandonem uma das línguas.  Barbara Pearson, lingüista que hoje leciona na Universidade de Massachusetts, afirma que o ensino concomitante das duas línguas é mais recomendável nesses casos, quando não se pode evitar o bilingüismo dentro do lar. Ela ressalta que o ensino de duas línguas, que pode ser trabalhoso para os pais, está bem longe de ser um fardo para as crianças.<br />
“A maior parte das evidências científicas indica que usar uma língua para aprender outra é um bom plano pedagógico.“ (RG)</p>
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		<title>Happy Thanksgiving</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 11:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Thanksgiving Day, o Dia de Ação de Graças, é um feriado comemorado nos EUA e no Canadá para celebrar as boas colheitas anuais, por isso é celebrado na quarta quinta-feira do mês de novembro, no outono, que é quando se encerram as colheitas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/11/turkeydinner.jpg" alt="" title="turkeydinner" width="318" height="300" class="alignleft size-full wp-image-589" /> Neste dia as pessoas aproveitam o tempo livre para ficar com a família, fazendo grandes reuniões e jantares familiares. </p>
<p>O Thanksgiving Day é celebrado também com grandes desfiles e, nos Estados Unidos, com a realização de jogos de futebol americano. </p>
<p>No Thanksgiving dinner (jantar de ação de graças) certos tipos de alimentos são tradicionalmente servidos nas refeições: o peru cozido ou assado é o item principal e obrigatório à qualquer mesa (o dia de Thanksgiving é conhecido também como Dia do Peru &#8220;Turkey Day&#8221;), o peru é recheado com farofa para dar mais sabor à carne (stuffing), acompanhado de purê de batatas (mashed potatoes) com molho (gravy), batata doce (yams), molho de cranberry (cranberry sauce), milho doce ( sweet corn), vegetais diversos (principalmente tipos diferentes de abóboras), e torta de abóbora são comumente associados com o jantar desse feriado.</p>
<p>Historicamente, o feriado como é comemorado atualmente, tem suas origens em 1621. De acordo com a maioria dos historiadores, nunca antes os peregrinos observaram uma colheita tão excelente quanto no outono de 1621. Eles fizeram uma grande festa para celebrar,  perto de Plymouth, Massachusetts,  e esta festa a maioria das pessoas se refere como o primeiro Thanksgiving Day.</p>
<p>Comemoramos o Thanksgiving na escola de diversas maneiras: durante o &#8220;circle&#8221;,  quando conversamos sobre o que é thanksgiving &#8211; falando sobre o dia de comemorar a colheita, os amigos e as coisas que apreciamos &#8211; temos um lanche comunitário com as comidas favoritas das crianças e fazemos diversas atividades relacionadas ao peru, às abóboras e também às coisas que as crianças se sentem gratas como amigos, familiares, brinquedos, brincadeiras e comidas favoritos. Claro, que o lanche acaba sempre sendo a parte favorita e mais aguardada!</p>
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		<title>Palestra da psicóloga Tânia Possani</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 18:59:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fala da Psicóloga Tânia Possani na reunião do dia 25/10/2011]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/11/psicologia-300x292.jpg" alt="" title="psicologia" width="300" height="292" class="alignleft size-medium wp-image-583" />É sempre difícil planejar uma fala para alguém que não se conhece. Por isso eu desde já peço a compreensão de vocês caso minha fala seja muito alheia ao que vocês gostariam ou precisariam. E nesse caso, espero que a gente estabeleça um diálogo hoje, para que eu me reformule e me aproxime mais de vocês.<br />
Vocês são pais de crianças pequenas, crianças que dependem absolutamente ou relativamente dos cuidados de vocês (ou do ambiente em que elas estão) para serem atendidas em suas necessidades.</p>
<p>Creio que isso seja fato notável e não haja dúvidas sobre essa condição. A questão sobre a qual eu acho importante nos atermos é ao que me referi como necessidades. Todos aqui são responsáveis por atender a necessidades de pessoas que não podem provê-las por si mesmas. Acho que essa é uma das questões em que todos aqui estão implicados: pais e funcionários da escola.</p>
<p>Geralmente, as necessidades físicas de uma criança são facilmente reconhecidas: é preciso providenciar seu alimento, cuidar de sua higiene e do seu sono, favorecer seu andar e as aquisições de movimentos, etc. Esse cuidado pode ser realizado naturalmente sem que precisemos seguir com manuais: sabemos da fome, prevemos o sono, nos alegramos e acompanhamos espontaneamente as tentativas de andar, pular, dançar. </p>
<p>Mas, muitas vezes seguimos com algumas orientações médicas, com manuais que felizmente, na maioria das vezes não impede com que esse cuidado seja provido com naturalidade e espontaneidade.<br />
E eu gostaria de colocar essas palavras em neon naturalidade e espontaneidade porque elas são elementos fundamentais para o cuidado com outro aspecto da criança que só se distingue aqui em fala para uma apresentação didática – pois todos os aspectos de uma pessoa estão presentes e em movimento o tempo todo. Eu estou me referindo ao aspecto comumente chamado de emocional.</p>
<p>E o que tenho notado na clínica e no contato pessoal com pais é que quando se trata de prover um cuidado ao desenvolvimento emocional, os cuidadores ficam absolutamente perdidos, e não conseguem agir com naturalidade e espontaneidade. Embora também possamos ser orientados e possamos seguir manuais sobre como agir para favorecer o desenvolvimento emocional, isso geralmente não funciona, pois trata-se de uma faceta do ser humano que não funciona pela lógica de causa-efeito, e ainda, não há uma lógica de funcionamento igual que seja igual entre seres humanos. O clichê “cada ser humano é único” é absolutamente verdadeiro.</p>
<p>Então, o que fazemos aqui, ouvindo uma psicóloga falar de algo geral, genérico e não especificamente sobre o próprio filho? Eu estou aqui para tentar estabelecer com vocês um diálogo sobre essa difícil tarefa de cuidar, de encontrar e de construir respostas únicas.</p>
<p>Então, quando a criança começa a precisar de cuidados de ordem emocional e nós buscamos regras de conduta – como por exemplo: meu filho está agressivo e isso não é certo. Eu fui orientada ou li que diante disso eu devo fazer tal coisa e eu faço tal coisa. Desse jeito eu, mãe, estou correndo o risco de estar promovendo uma violência com meu filho e certamente estou me furtando do trabalho de encontrar a maneira singular de ajudar meu filho a lidar com alguma questão. Ou, tenho uma conduta que funciona em casa e espero da escola a mesma conduta e não permito que esse ambiente (escola) aja com a naturalidade e espontaneidade diante do meu filho. Ainda, se eu tenho como pré-suposto que tais e tais comportamentos são inadequados, ou tais comportamentos são os corretos e eu me empenho para que meu filho os siga, novamente, posso estar ferindo com o desenvolvimento de sua singularidade.  </p>
<p>Nós conseguimos reconhecer e favorecer um potencial de desenvolvimento físico. Reconhecemos o potencial da criança a se movimentar, a se colocar de pé, a andar e nos oferecemos como sustentação. Da mesma forma podemos reconhecer elementos potenciais para o desenvolvimento de uma personalidade, de um modo de ser, e da mesma forma podemos e devemos nos oferecer como sustentação.</p>
<p>Assim, eu quero chamar a atenção de vocês para o desenvolvimento desse modo de ser que tem características absolutamente singulares, mas que tem tendência comum: todo ser humano tende a ter um corpo integrado, a reconhecer esse corpo como sendo seu, a desenvolver um eu que mora nesse corpo, a ter um psiquismo que organiza suas experiências e tende a desenvolver um modo de ser que vai se expressar tanto na sua organização física, quanto psíquica.</p>
<p>O grande problema acontece quando nos esquecemos que tudo isso está por se desenvolver e precisa de sustentação e achamos que trata-se de treinamento, de imposição, de ensinamento pedagógico de um modo de ser que nós julgamos adequados. E isso nunca aparece como uma má intenção dos pais. Isso geralmente é uma tentativa de fazer o melhor para o filho, uma ansiedade em fazê-lo ser uma pessoa boa e melhor. </p>
<p>A criança terá muito tempo para ser boa e melhor e nessa idade, até os quatro, cinco anos, ela precisa ser ajudada a simplesmente ser. Ela precisa ser ajudada a ter um corpo, a abrigar dentro desse corpo seus impulsos, seus desejos, seus sentimentos e a reconhecer tudo isso somo sendo ela mesma. E uma vez que ela reconhece que ela é uma pessoa limitada por um corpo, ela também reconhece que existem outras pessoas, e para ela se impõe a tarefa de ter que se comunicar pela linguagem compartilhada, a tarefa de se relacionar com esse outro sobre o qual ela não tem controle. E é só a partir daí que ela passará a adquirir repertório intelectual, consciência de como adquirir o que quer do outro, dos limites do outro, de preocupação com o outro, e tudo o que se refere ao social. Enfim, só depois de se tornar alguém (de se sentir, de ter a experiência de que é alguém) é que ela poderá lidar com regras de conduta, poderá compreender as consequências de seus atos no outro e se ocupará da culpa, etc.</p>
<p>Isso não significa que até aqui tudo pode. Pelo contrário, nós precisamos cuidar para que a criança não cause grande mal a si e aos outros, pois ela mesma não tem condição de fazer esse cálculo. Mas significa também que não adianta lidar com as manifestações dessas crianças pela via da moral: isso é o correto, isso é errado, e se ela faz o errado é porque não aprendeu, porque não estão ensinando o certo para ela. Certo e errado é uma noção muito sofisticada que ainda será atingida. A criança pode sim ser condicionada a realizar ações que queremos, pode repetir e reproduzir ensinamentos, mas acreditar que ela realmente sabe do certo e do errado é uma ilusão.</p>
<p>Temos que ajudá-los a alcançar esses conceitos: o bom e o mal, o certo e o errado. E eles não vão atingi-los ‘de fora para dentro’, mas ‘de dentro para fora’. É só através de uma experiência pessoal, das vivências pessoais e do tempo inerente de maturação da personalidade que eles atingirão a moral, que no início é: me agrada ou me desagrada e se desenvolve para agrada minha mãe ou desagrada minha mãe e eu me identifico com ela, então assumo para mim. </p>
<p>Lembro-me de uma menina que estava com três anos e que não queria largar a chupeta. Todos tentavam dizer para ela que aquilo era errado, que aquilo a prejudicaria, que ela teria que usar aparelho nos dentes, que crianças de 3 anos não chupavam chupeta. E é claro que isso não adiantava em nada. Os pais tentavam um apelo de se mostrarem muito decepcionados com ela, e isso só aumentava a tensão. Pois nem a grande importância em manter a boa relação com os pais podia fazê-la largar a chupeta. E ela tinha então três problemas: a necessidade da chupeta, pais irritados com ela e os futuros aparelhos nos dentes.</p>
<p>Buscando uma compreensão sobre a maneira de ser daquela menina, percebemos que a chupeta desde sempre foi usada pelos pais, avós e logo por ela, para contê-la. Ela tinha sido um bebê muito irritadiço, era uma menina muito agitada, muito forte, com muita disposição física e ela só conseguia entrar num estado relaxado e calmo através da chupeta. Assim, do ponto de vista da menina, a perspectiva de ficar sem a chupeta era a perspectiva de não mais experimentar o relaxamento, de não mais dormir. Ela não podia ficar sem isso! Enfim, não se tratava da menina compreender, entender o certo e o errado. Tratava-se dos seus cuidadores compreenderem em função do que ela tinha aquele hábito e tentar ajudar a menina a encontrar alternativas para aquilo – pois ela de fato poderia ser prejudicada pelo uso prolongado da chupeta.</p>
<p>Não foi fácil, mas a mãe foi buscando novas alternativas à chupeta. O que exigiu que ela, mãe, tivesse que despender mais tempo com a menina: passou a ler mais para a menina, a conversar mais, a estar junto assistindo a TV, a propor jogos e brincadeiras que exigiam maior concentração e permanência da menina e logo a menina conseguiu realizar isso na escola. Durante o dia, a mãe conseguiu com que a chupeta perdesse sua necessidade. Mas, era impossível para a menina dormir sem a ajuda da chupeta. </p>
<p>E nesse momento, no exercício de encontrar o sentido singular e a maneira única de lidar com esse problema, a mãe se deu conta de um aspecto que apimentava toda situação: essa mãe de primeira viagem havia se apoiado muito na sua própria mãe, a avó da menina, para cuidar de sua filha. Ou seja, a avó tinha grande participação e influência na educação da neta. E a avó estava tendo grande dificuldade com o crescimento da menina, com o fato dela ir cada vez mais se tornando independente e tendia a tratar a menina como bebê. A mãe se empenhava em buscar alternativas para a chupeta, mas quando a avó estava presente, tudo o que tinha sido conquistado parecia se perder, pois a avó oferecia a chupeta para toda e qualquer situação que exigisse algum esforço dela. Além disso, a avó era uma senhora que por toda vida sofrera de insônia e fazia uso de medicação para dormir. Ou seja, ela mesma não tinha recursos próprios para dormir e logo se desesperava diante da tarefa de ter que encontrar meios de fazer a neta dormir.</p>
<p>Concluindo essa história, a mãe empenhada, percebeu que aquilo que inicialmente apareceu como solução para o constante estado irritadiço e desconfortável de sua filha bebê (a chupeta) tinha se tornado um problema. Mãe e avó se acomodaram e postergaram uma tarefa. Para ajudar a filha, a mãe precisou também abandonar aquele apoio, a avó, pois não poderia cuidar das questões da avó naquele momento. Passou a usar menos o auxílio da avó, a deixar a menina dormir menor número de vezes na avó – e assim a mãe precisou restringir novamente sua vida social &#8211; e com o apoio do marido e dos tios, fez um acordo com a menina: a chupeta seria entregue ao Papai Noel.</p>
<p>No natal, os tios presentearam a menina com possíveis auxiliadores do sono: um urso macio chamado soninho, um livro de histórias, um diário para ser escrito junto com a mãe todos os dias antes de dormir. A menina conseguiu fazer a entrega da chupeta. Mas infelizmente a substituição não seria assim, mágica. E a mãe e o pai estavam dispostos a estar com a menina nas noites mal dormidas. Ela chorou muito naquele Natal. Por fim, dormiu de cansaço e no dia seguinte acordou a mãe muito alegre: “Mãe! Eu consegui! Eu não uso mais chupeta!”</p>
<p>Obviamente que ela teve mais noites mal dormidas, pediu pela chupeta, teve conversas com a mãe em que se confessava saudosa da chupeta e arrependida em tê-la entregue ao Papai Noel, mas a mãe, de posse da compreensão da necessidade da filha, conseguiu sustentar o cuidado necessário para seu crescimento. Hoje, a menina precisa de um abajur ligado para dormir. E quando não consegue dormir, pede que a mãe faça cafuné nela e ela dorme. É uma menina que se realiza na motricidade, que tem prazer e se realiza com o correr, a dança, nadar, jogar bola – isso apresenta o seu modo de ser e não precisa ser modificado. Mas, todos precisam relaxar, descansar e dormir. E essa menina hoje já adquiriu a condição de saber e conseguir estar noutro estado. Ela costuma dizer “Acho que agora eu preciso fazer uma coisa mais calminha.”<br />
Enfim, “como e quando tirar a chupeta” pode ser uma tarefa que muitas mães enfrentam. Mas cada uma terá que encontrar um modo próprio que deverá estar de acordo com o uso singular que o filho faz daquele objeto. E assim é com cada sintoma, com cada expressão que é reconhecida como um sofrimento, como um problema enfrentado pela criança. E assim, o critério de normalidade diz respeito a esse conjunto criança-ambiente. Uma criança apresenta sintomas, como o uso prolongado da chupeta, recusar alimento, urinar na cama, ter explosões e isso é considerado normal se esses sintomas estão cumprindo com uma função e o ambiente pode ajudar a criança a passar por esse sintoma, ou seja, compreender a função que eles cumprem e auxiliar a criança, ou simplesmente esperar que ela consiga recursos mais sofisticados e menos penosos para lidar com aquela dificuldade.</p>
<p>Se pais e cuidadores (o ambiente) souberem ‘em função de que’ se deve toda agitação de sintomas, o ambiente não entrará em pânico e estará apto a encontrar um modo natural e único para dar a assistência necessária a criança. É maravilhoso o que uma criança pode conseguir, no fim, só porque alguém que é pessoalmente responsável continuou calma e constantemente atuando de um modo natural.<br />
Lembro-me de uma menina que ganhou um irmão. Aos dois anos ela pedia por um irmão como quem pede por um brinquedo. Aos três anos, dizia para a mãe que queria um irmão para poder brincar e dar seus brinquedos – a mãe percebia que ela ansiava por companhia de mais crianças. Aos 4 anos sua mãe engravidou. No momento da gestação o irmão serviu para que ela se identificasse com a mãe e se colocasse como quem seria a auxiliar da mãe no cuidado com o bebê e ela brincou muito de ser mulher – a mãe acompanhou as brincadeiras com prazer. Com o nascimento do irmão, ela sofreu a desilusão de não poder prover nenhum cuidado ao bebê e passou a vivenciar as perdas e reclamava que todas as pessoas só estavam interessadas em seu irmão. Perdeu o centro das atenções. A mãe não se desesperou e manteve-se ao lado da filha, sem tentar enganá-la. A menina oscila em período de desânimo e inveja, e momentos de grande prazer em brincar sozinha e em estar em momentos a sós com o pai e a usufruir de programas com tios e padrinhos sem os pais. Mas, percebe-se sua hostilidade em relação ao irmão e suas falsas demonstrações de carinho &#8211; e isso é absolutamente normal, e sua mãe continua atenta ao que ela vive e não exige dela outra reação. </p>
<p>Gradualmente, com a relação entre os dois, o ódio cederá lugar ao amor, na medida em que esse novo bebê se converter em alguém com quem se pode brincar e de quem possa sentir orgulho. Certamente, o irmão será palco para diversas questões, para indas e vindas de sentimentos, durante o resto de sua vida.<br />
A dificuldade imposta a todos nós desde o nascimento é a de lidar com duas realidades: a interna e a externa. Inicialmente o bebê precisa que o externo se adapte totalmente às suas necessidades e com o passar dos anos é exigido das crianças que elas se adaptem e negociem com a realidade externa.</p>
<p>Assim, uma das principais tarefas de quem cuida de crianças é auxiliá-los na transição da ilusão para a desilusão, auxiliá-los na compreensão e discriminação de sua realidade interna e externa. Muita da gritaria e explosão colérica infantil gravita em torno dessa luta entre realidade externa e interna – e essa luta deve ser considerada normal. </p>
<p>Uma criança que por vezes é surpreendentemente madura aos quatro anos e meio se converte de súbito num bebê de dois anos quando precisa que a tranquilizem por causa de uma queda e é suscetível de tornar-se ainda mais infantil na hora de dormir. Assim, até os cinco anos de idade a criança está desenvolvendo uma elaboração gradual do eu como um todo e também um desenvolvimento gradual da capacidade de sentir que o mundo externo e o mundo interior são coisas relacionadas, mas não idênticas ao eu; e o eu é individual e particular e jamais igual entre duas crianças.</p>
<p>Assim, do ponto de vista da psicologia, o que esperamos é que até os cinco anos de idade a criança já se sinta um ser inteiro, já esteja lidando com as relações triangulares (e aqui se evidenciam conflitos de amor e ódio, ciúme, inveja) e esteja identificada com o pai ou com a mãe, e que tenha inúmeros episódios regressivos. Até então ela não se orienta pela moral, mas inicialmente pela força de seus instintos e necessidades, caminhando gradualmente para a ação que imita, que absorve o ambiente, as figuras com as quais se identifica.</p>
<p>Isso pode ser reconhecido na seriedade da brincadeira para as crianças. E por isso mesmo nós adultos temos que poder respeitar muito a necessidade e o conteúdo do brincar. Deve-se esperar a criança possuída por personagens, animais e nos impondo nos relacionarmos com o imaginário como se fossem reais, pois ali, algo do seu mundo interior está sendo mantido na exterioridade por uma boa razão.</p>
<p>Assim, ao invés de fazer uma lista de sintomas possíveis e das dificuldades que o desenvolvimento comum impõe, vou concluir com uma sugestão amistosa: estimulemos a capacidade de brincar da criança. Se uma criança estiver brincando haverá lugar para um sintoma ou dois. Se nessas brincadeiras se puder observar que há uma fértil imaginação e há nelas a inclusão de aspectos da realidade, então a mãe pode sentir-se bastante feliz, mesmo que a criança em questão urine na cama, gagueje, tenha explosões de mau humor. A capacidade de brincar revela que essa criança é capaz, junto a um ambiente razoavelmente bom e estável, de desenvolver um modo de vida pessoal dentro do mundo compartilhado.</p>
<p>Tânia Possani<br />
tania_possani@yahoo.com<br />
8281-4567/ 3081-6824</p>
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		<title>Contornando disputas de poder</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Nov 2011 16:23:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem manda na sua casa? A disputa de poder presente na instituição familiar pode se tornar um problema a longo prazo. Muitas vezes o poder é imposto pelos familiares de modo autoritário, dessa forma a criança não compreende o real motivo da ordem dada pelos pais, cumprindo-a somente pelo hábito de obedecê-los. É comum que, desta forma, a criança se encontre no direito de também dar ordens, afinal, “porque eu obedeço e ele dá as ordens?”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/11/children-parent-tug-of-war.jpg" alt="" title="tug-of-war" width="272" height="253" class="alignleft size-full wp-image-580" /></p>
<p>A origem deste problema se dá na má compreensão entre “autoridade” e “autoritarismo”. Ambas estão relacionadas ao poder, porém autoridade indica o poder de impor limites necessários para a convivência em sociedade através do respeito e compreensão; e autoritarismo está relacionado ao abuso deste poder sem o consentimento do próximo, por esse motivo, o ‘autoritarismo’ é relacionado à ditadura e regimes totalitários.</p>
<p>Naturalmente os pais são a autoridade da família, eles são os heróis de seus filhos e são venerados por eles. O respeito conquistado será a ferramenta para aproximar pais e filhos. Dessa forma, ao impor uma ordem ao seu filho seja claro e sincero, explique de uma forma que ele compreenda o real motivo da ordem, utilize uma linguagem que envolva seu universo infantil, para que assim ele entenda a situação.</p>
<p>Com está experiência a criança entenderá que são os pais quem dão as ordens, pois têm mais experiência que os filhos, porém estão dispostos a dividir estes conhecimentos com eles. Os limites impostos ás crianças são necessários para seu desenvolvimento, mas a “imposição pela imposição” não faz sentido para as crianças, atingir o seu universo de compreensão é o melhor caminho para que os limites sejam compreendidos e exercidos. </p>
<p>MAIS EM:<br />
<a href="http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/433/artigo105014-1.htm" target="_blank">http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/433/artigo105014-1.htm</a><br />
<a href="http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI16378-15565,00-FALTA+LIMITES+DE+QUEM+CRIANCAS+OU+ADULTOS.html" target="_blank">http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI16378-15565,00-FALTA+LIMITES+DE+QUEM+CRIANCAS+OU+ADULTOS.html</a><br />
<a href="http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI244363-15546,00.html" target="_blank">http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI244363-15546,00.html</a></p>
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		<title>Halloween</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 11:50:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Halloween é uma festa comemorativa celebrada todo ano no dia 31 de outubro. Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/10/halloween.jpg" alt="" title="halloween" width="296" height="262" class="alignleft size-full wp-image-568" />O Halloween é uma festa comemorativa celebrada todo ano no dia 31 de outubro. Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém é mais representativa nos Estados Unidos.<br />
O evento é marcado por crianças e adultos se vestindo com as mais diversas fantasias, indo pedir doces na vizinhança (o famoso “Travessuras ou Gostosuras”). É marcado também pelas abóboras cortadas (Jack-o’-Lantern) e com luzes, enfeitando todos os lugares.<br />
O Halloween é citado como o dia que os espíritos dos mortos voltarão à Terra para atormentar os vivos, mas em muitos países é conhecido como o dia de doces e fantasias.<br />
A história desta data tem mais de 2.500 anos com o povo celta, que acreditava que no último dia do verão os mortos sairiam de seus túmulos. Para assustar esses fantasmas, os celtas colocavam nas casas objetos assustadores, como caveiras, ossos decorados e abóboras enfeitadas.<br />
No Brasil esta comemoração é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente trazida pela televisão e pelo cinema, porém muitos brasileiros são contra essa data e dizem que deveríamos valorizar mais o nosso folclore, mas seguido e adorado por muitas pessoas, o Halloween está crescendo cada dia mais em solo nacional.</p>
<p><strong>No Brasil 31 de outubro é também o dia do Saci-Pererê.</strong><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/10/saci.jpg" alt="" title="saci" width="189" height="267" class="alignright size-full wp-image-569" /></p>
<p>A lenda do Saci: Um menino negro, de uma perna só,  que usa uma touca vermelha e fuma cachimbo. Vive aprontando travessuras na mata, nas casas, com os animais e as pessoas.<br />
Diz o mito, que o Saci-Pererê se desloca rapidamente, depois que fez alguma peripécia, dentro de um redemoinho. Quem quiser capturá-lo precisa jogar uma peneira sobre o redemoinho, depois tirar a touca vermelha e finalmente, prendê-lo dentro de uma garrafa.<br />
O Saci não faz somente peraltices e brincadeiras; ele é um sábio conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com as plantas.<br />
Diz-se que quando não encontramos um objeto, é porque o Saci pegou e escondeu; para achar é preciso que se amarre a perna do Saci com três nós. Depois de encontrar o que o “Saci tinha escondido”, desamarre a sua perna, pois assim ele terá aprendido a lição de nunca mais esconder as coisas.</p>
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		<title>A hora dos bebês leitores</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 10:34:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Texto sugerido pela mãe do Caetano, publicado no blog da COSAC NAIFY, escrito por Vanessa Gonçalves, editora-assistente de livros infantojuvenis da Cosac Naify.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/10/baby-reading11-300x257.jpg" alt="" title="baby-reading11" width="300" height="257" class="alignleft size-medium wp-image-561" />Um bebê engatinha livremente pelo piso emborrachado, olhando curioso para as formas geométricas coloridas do chão. Outro se apoia nas pernas da mãe para pegar o livro na estante baixa. A babá, com o garoto no colo, dá voz aos personagens da história que tem nas mãos, enquanto ele aponta o dedinho para as ilustrações. A menina com a chupeta na boca se esparrama no pufe. Bateu o soninho? A mãe a leva para a sala reservada, com luzes baixas, onde outra mãe amamenta seu filho. Para manter o piso limpo, todos os adultos têm de calçar uma espécie de sapatilha cirúrgica sobre os sapatos. Ao lado da porta, há um verdadeiro estacionamento de carrinhos de bebê.</p>
<p>É nesse ambiente aconchegante que funciona a Biblioteca para Bebês da Sala Borsa, na cidade de Bolonha, na Itália. A Sala Borsa fica no histórico Palazzo d’Accursio, ou Palazzo Comunale, na Piazza Maggiore. Reformada em 2008, ganhou um espaço dedicado à leitura na primeira infância (zero a três anos), nascido da percepção de que a literatura pode ser uma grande aliada no desenvolvimento cognitivo dos pequenos. Ali também, mães que já perceberam esse valor se reúnem com  educadores, bibliotecários e outras mães, para trocar experiências.</p>
<p>Mas não foi só na Itália, ou na Europa, que se levantou a bandeira sobre a importância do contato com os livros desde os meses iniciais de vida – e, por que não, desde a gestação? No Brasil, já demos os primeiros passos. Iniciativas pioneiras, como o Programa Bebelendo, das professoras Rita de Cássia Tussi e Tania Rösing (Universidade de Passo Fundo), e a criação de uma biblioteca para bebês nas duas últimas edições do Salão do Livro para Crianças e Jovens, organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), merecem destaque.</p>
<p>Nesse contexto, chega às livrarias &#8220;Ops&#8221;, da autora Marilda Castanha, um convite para que pais leiam com seus filhos desde o berço. &#8220;Ops&#8221; é um desses livros formidáveis, simples para quem vê, mas engenhoso em sua concepção. Combina a repetição de uma mesma palavra – e todos os pais conhecem o famoso “de novo!” dos filhos, surgido da necessidade de ouvir as mesmas histórias, cantar as mesmas músicas, assistir aos mesmos filmes, como uma forma de compreensão e assimilação do mundo – com situações próprias do universo infantil. Afinal, que criança nunca derrubou a bola de sorvete no chão, levou uma lambida do cachorro ou quebrou algum objeto da mãe no meio do jogo de bola? Outra ousadia da autora: &#8220;Ops&#8221; traz nas páginas finais uma curta sequência narrativa, brincando com o livro dentro do próprio livro.</p>
<p>Com esta ideia em mãos, coube à equipe da Cosac Naify trabalhar com a tipografia de modo a criar uma perfeita interação, na qual a palavra de fato torna-se a imagem. Assim, ao quebrar a “vidraça”, é a própria letra “o” da palavra “ops” que se estilhaça. As curvas da letra “s” traçam o caminho do cachorro eufórico ao encontro do menino. E brincar no balanço ao som de “oooooopppssss” é muito diferente de escorregar e… “oooooooops”. Um autêntico livro ilustrado para bebês.</p>
<p>Cada criança vai perceber toda essa complexidade à sua maneira – e no seu tempo. O mais importante, nessa fase, é despertar a curiosidade e propiciar o contato com o livro. Ele vai colocar na boca? Sem problemas. Porque assim ele cria, também, uma familiaridade com o objeto. Vai manusear, apontar, brincar, jogar… vai ler com as mãos. Ainda reconhecerá as cores, as formas, os objetos. Quando a mãe ou o pai lerem &#8220;Ops&#8221; para o bebê, ele vai perceber a entonação e a cadência, a expressão facial, vai imitar os sons – parte do seu processo de desenvolvimento social, psicológico e emocional.</p>
<p>A razão mais importante da leitura para o bebê, no entanto, é a troca afetiva entre pais e filhos, avós e netos, babás, professores e seus pupilos. Afinal, esse gesto tão íntimo pressupõe o colo, o carinho, o cuidado em criar um ambiente acolhedor – como o da incrível biblioteca de Bolonha – e escolher um livro estimulante – como &#8220;Ops&#8221;. Os leitores de primeira viagem agradecem.</p>
<p>*Vanessa Gonçalves é editora-assistente de livros infantojuvenis da Cosac Naify.</p>
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		<title>Tirando a chupeta sem dor</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 10:06:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A chupeta é usada há séculos pela capacidade que tem de acalmar os bebês por meio da sucção não nutritiva e da liberação de hormônios de bem-estar, saiba a hora certa de tirá-la sem dano para a criança.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-548" title="pacifier" src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/10/pacifier-300x300.jpg" alt="" width="200" height="200" /></p>
<p>A chupeta é usada há séculos pela capacidade que tem de acalmar os bebês por meio da sucção não nutritiva e da liberação de hormônios de bem-estar. Duas pesquisas recentes, uma feita na Argentina e outra na Dinamarca, trazem uma boa notícia para famílias adeptas do acessório: elas sugerem que o bico não prejudica o aleitamento desde que seja oferecido quando a amamentação já está bem estabelecida, entre 15 e 30 dias de vida da criança.</p>
<p>Mas isso não significa que o uso está liberado para os maiorzinhos. Para que seus benefícios compensem os efeitos negativos, é preciso tomar certos cuidados. A chupeta só deve ser usada para acalmar o bebê em casos de dor e para induzir o sono, por curtos períodos. &#8220;Quando está desperta, a criança não precisa da chupeta, não é saudável. O bom é usar para relaxá-la ou fazê-la dormir quando está ansiosa ou agitada&#8221;, afirma o pediatra Victor Nudelman, do hospital Albert Einstein.</p>
<p>É recomendada também para bebês que nascem com o hábito de sugar o dedo ou que o adquirem nas primeiras semanas, porque ajuda a remover esse costume, mais nocivo. Nas crianças nascidas antes da 32ª semana de gestação, pode ser indicada para auxiliar no aprendizado da sucção.<br />
O uso contínuo provoca abaixamento da língua, deglutição atípica, alteração nas bases ósseas dentárias e da boca, além de favorecer a respiração bucal e promover alterações na fala. (RACHEL BOTELHO)</p>
<p><strong>PARA QUE SERVE A CHUPETA?</strong><br />
Para acalmar, relaxar, ajudar a dormir, desenvolver a sucção.</p>
<p><strong>O PRENDEDOR DEVE SER USADO?</strong><br />
Não. Porque a chupeta não deve estar disponível o tempo todo, já que isso estimula seu uso. Além disso, o prendedor de metal pode ferir o bebê e o de pano acumula sujeira com facilidade.</p>
<p><strong>NA ESCOLA, SEU USO DEVE SER PERMITIDO OU PROIBIDO?</strong><br />
Nem uma coisa nem outra! A chupeta pode ser uma grande aliada no momento de adaptação das crianças, já que elas estão em um ambiente novo, com pessoas desconhecidas e sem a companhia dos pais ou pessoas mais íntimas. Mas ela também pode atrapalhar muito o desenvolvimento da criança e de seus colegas, uma vez que a chupeta vira o centro das atenções e objeto de desejo de todos em volta.</p>
<p>O ideal é a família estabelecer algumas regrinhas, porém sem criar rotinas para o uso da chupeta:</p>
<ul>
<li>A chupeta deve ser uma companheira para ajudar a dormir, então vale deixar uma na escola para a hora da soneca, mas se a criança não pedir, melhor ainda!</li>
<li>Enquanto acordada, a criança pode destinar sua atenção a centenas de outras possibilidades que agregarão muito mais valor à sua vida. Além disso, sem a chupeta na boca, a atenção não precisa ser dividida e ela pode se entregar totalmente a uma atividade ou brincadeira.</li>
<li>Os amigos que já estão adaptados, quando vêem alguém de chupeta, logo questionam, apontam e demonstram desejo em ter suas chupetas também. Isso faz com que todos percam o interesse nas brincadeiras e atividades que estão acontecendo, pois estão preocupados com a satisfação de chupar a chupeta. E como uma coisa leva à outra, todos logo estarão com muita saudade da mamãe!</li>
<li>A chupeta não deve ser recompensa para outras coisas.</li>
</ul>
<p><strong>QUANDO ELIMINAR O HÁBITO?</strong><br />
Até os dois anos de idade, problemas como a mordida aberta ainda podem ser revertidos, mas o ideal é tirar a chupeta o quanto antes.<br />
<strong>COMO TIRAR SEM TRAUMAS?</strong><br />
É importante os pais estarem seguros da decisão, pois a criança percebe quando a mãe está vacilante ou há discordância entre o casal. Primeiro, deve-se limitar os horários e eliminar o hábito durante o dia. Depois, deve-se preparar a criança para a separação definitiva, determinando um prazo para a retirada do bico. Uma boa estratégia é entregar a chupeta a um personagem, como o coelho da Páscoa ou o Papai Noel, em troca de um brinquedinho mais adequado à faixa etária da criança &#8211; a ser entregue quatro ou cinco dias depois. Outro argumento que pode funcionar é o estético: elas já entendem que dentes tortos não são bonitos. Quando o uso é restrito e os pais estão convictos, a retirada costuma ser fácil.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diversão garantida na cozinha</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 13:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que tal uma deliciosa mousse de limão feita pelos pequenos, com uma pequena ajuda dos pais? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada melhor do que divertir-se com os filhos? E se a diversão for na cozinha, fazendo uma deliciosa sobremesa, melhor ainda, não?</p>
<p>Ultimamente tempo é um bem precioso e nós não temos muito para gastar cozinhando, devido a isso pensamos em uma receita fácil e prática para que vocês, pais, possam preparar com os seus filhos (as). A idéia principal é que este seja um momento de descontração e alegria para ser recordado e repetido sempre que possível.</p>
<p>A receita sugerida é Mousse de limão, pois além de delicioso e prático vai uma fruta como ingrediente, e este momento pode ser também aproveitado para que seu filho (a) tenha contato com o sabor deste alimento.<br />
É interessante que a criança sinta que está liderando o processo, assim sendo apenas ajude-a nas tarefas que envolvam o uso de facas e abridores de lata e liquidificador.</p>
<p>Primeiro mostre o limão e pergunte o que é, depois deixe seu filho (a) apertar, cheirar, enfim, explorar bem as características deste ingrediente. Depois corte-o ao meio e experimentem juntos para sentir o sabor, esprema para retirar o caldo e coloque em uma xícara. Em uma tigela despeje o leite condensado e o creme de leite, também deixando seu filho (a) provar um pouco destes ingredientes separadamente. Acrescente o suco do limão e peça para a criança misturar bem com uma colher. Leve à geladeira e sirva no dia seguinte.</p>
<p>É importante que as crianças participem da preparação do que consomem, pois é um momento no qual elas entram em contato com diferentes texturas, sabores e cores, fazendo com que se tornem mais receptivas a novos alimentos. Ao envolvê-los no processo vocês, pais, fazem com que seus filhos se sintam responsáveis pelo resultado e, consequentemente, mais dispostos a aprová-lo. O mais importante é a parceria entre pais e filhos, que certamente dará um gostinho especial à receita preparada.</p>
<p>Divirtam-se!!!</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-540" title="mousse" src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/09/mousse.jpg" alt="" width="250" height="250" style="margin-right:20px"/></p>
<p>Os ingredientes são:</p>
<ul>
<li>1 lata de leite condensando</li>
<li>1 lata de creme de leite</li>
<li>meia xícara (chá) de suco de limão.</li>
</ul>
<p>Modo de preparo:</p>
<ol>
<li>coloque no liquidificador o creme de leite (com soro mesmo) e o leite condensado</li>
<li>bata um pouco</li>
<li>depois vá acrescentando o suco do limão aos poucos</li>
<li>bata até ficar bem consistente</li>
<li>leve pra geladeira</li>
<li>Enjoy! <img src='http://myschoolsp.com.br/2011/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </li>
</ol>
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		<title>Meu filho, você não merece nada</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 12:40:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>My School</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Texto indicado e recomendado por uma mãe de aluno, interessante para todos, vale a pena ler. Escrito por Eliane Brum.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://myschoolsp.com.br/2011/wp-content/uploads/2011/09/construindo-300x185.jpg" alt="" title="construindo" width="300" height="185" class="alignleft size-medium wp-image-534" />Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor. </p>
<p>Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade. </p>
<p>Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste. </p>
<p>Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. </p>
<p>Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade. </p>
<p>É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais? </p>
<p>Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. </p>
<p>Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”. </p>
<p>Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. </p>
<p>A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão. </p>
<p>Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude. </p>
<p>Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa. </p>
<p>Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir. </p>
<p>Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando. </p>
<p>O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa. </p>
<p>Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.</p>
<p>Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito. </p>
<p>Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência. </p>
<p>Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.</p>
<p>ELIANE BRUM<br />
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).<br />
E-mail: elianebrum@uol.com.br<br />
Twitter: @brumelianebrum</p>
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